CONDECORAÇÕES “MADE IN” MPLA

O Presidente do MPLA, que por inerência também é Presidente da Re(i)pública de Angola, anunciou hoje que vai entregar na sexta-feira, 4 de Abril, feriado que celebra o Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, as primeiras das 247 condecorações de personalidades que deram “um contributo indelével” ao reino do MPLA.

As medalhas pretendem – diz a propaganda do re(i)gime – reconhecer os feitos daqueles que, “em circunstâncias difíceis e perigosas, sem esperar por qualquer tipo de vantagem imediata ou recompensa, levaram a cabo acções que contribuíram não só para o derrube do colonialismo, do regime do ‘apartheid’ e para a consolidação da independência e soberania nacional, como também para o alcance e manutenção da paz e da reconciliação nacional, da reconstrução nacional, da diversificação da economia, da criação de emprego e bem-estar social” para todos. Ou seja, em síntese, todos os que ajudaram o MPLA a – segundo diz – fazer mais em 50 anos do que os portugueses em 500.

Dos 247 cidadãos, 99 serão agraciados no âmbito da Classe Independência e 148 na Classe Paz e Desenvolvimento, segundo uma publicação na página da presidência angolana.

Da lista não constam os nomes dos considerados pelo MPLA estrangeiros e inimigos, Jonas Savimbi, fundador e presidente da UNITA, morto em combate em 22 de Fevereiro de 2002, e de Holden Roberto, dirigente da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), que, juntamente com António Agostinho Neto, presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e primeiro Presidente angolano, lideraram os três movimentos que lutaram contra o colonialismo português.

“Vamos comemorar com alegria, júbilo e com os olhos virados para o desenvolvimento económico e social do país, depois de termos definitivamente ultrapassado a guerra prolongada contra inimigos externos e construído a paz e a reconciliação nacional entre nós, os filhos da mesma pátria, Angola”, salientou o general de três estrelas João Lourenço, a propósito das celebrações dos 50 anos de Angola como país independente e “livre de qualquer tipo de opressão colonial, da escravatura e da humilhação”.

“Para alcançarmos este importante marco da nossa história, foi determinante a entrega total, o sacrifício extremo e a perda de vidas de milhares de filhas e filhos de Angola em todas as frentes da luta, nomeadamente na frente política, diplomática, cultural e militar”, sublinhou.

A medalha comemorativa dos 50 anos da Independência Nacional vai ser entregue a um primeiro grupo de cidadãos nacionais no dia 4 de Abril, Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, data em que João Lourenço quer chamar também os cidadãos do MPLA a reflectirem sobre a Angola que se quer para as gerações vindouras, independentemente da filiação partidária, origem étnica, confissão religiosa ou social.

Sem direito a condecoração ficam todos aqueles que afirmam que:

– 68% da população angolana é afectada pela pobreza, que a taxa de mortalidade infantil é das mais alta do mundo, com 250 mortes por cada 1.000 crianças e que apenas 38% da população angolana tem acesso a água potável e somente 44% dispõe de saneamento básico;

– apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade, que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos;

– 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos, que, em Angola, a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos;

– em Angola, o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder;

– Angola é um dos países mais corruptos do mundo e que tem 20 milhões de pobres.

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